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PASTOR NORBERTO

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O AMANHÃ PODE SER MUITO TARDE

 

O AMANHÃ PODE SER MUITO TARDE

O dia estava clareando, os raios de sol entravam no quarto de Vicente e ele sentiu vontade de dormir mais um pouco. Estava cansado porque na noite anterior fora deitar muito tarde. Também não havia dormido bem, teve um sono muito agitado. Mas logo abandonou a idéia de ficar um pouco mais na cama e se levantou, pensando na enorme quantidade de coisas que precisava fazer na empresa.            

Lavou o rosto e fez a barba rapidamente. Não prestou atenção ao semblante cansado nem às olheiras escuras, resultado das noites mal dormidas. "A vida é uma sequência de dias vazios que precisamos preencher", pensou, enquanto jogava a roupa sobre corpo.

Vicente tomou o café da manhã num instante e saiu falando um “bom dia” bem baixinho, sem notar os lábios da esposa, que se ofereciam para um beijo de despedida. Ele não teve tempo para observar que os olhos dela ainda guardavam a doçura de mulher apaixonada, mesmo depois de tantos anos de casamento. Não entendia por que ela se queixava tanto da ausência dele e vivia reivindicando mais tempo para ficarem juntos. Ele estava conseguindo manter o elevado padrão de vida da família, não estava? Isso não bastava?

Claro que não teve tempo para esquentar o carro nem sorrir quando o cachorro, alegre, abanou o rabo. Deu a partida e acelerou. Pegou o telefone celular e ligou para sua filha. Sorriu quando soube que o netinho havia dado os primeiros passos. Ficou sério quando a filha lembrou-o de que há tempos ele não aparecia para ver o neto e o convidou para almoçar. Ele relutou bastante: sabia que iria gostar muito de estar com o neto, mas não podia, naquele dia, dar-se ao luxo de sair da empresa. Agradeceu o convite, mas respondeu que seria impossível. Quem sabe no próximo final de semana? Ela insistiu, disse que sentia muita saudade e que gostaria de poder estar com ele na hora do almoço. Mas ele foi irredutível: realmente, era impossível.   

Vicente chegou à empresa e mal cumprimentou as pessoas. A agenda estava totalmente lotada e era muito importante começar logo a atender seus compromissos, pois tinha plena convicção de que pessoas de valor não desperdiçam seu tempo com conversa fiada.

No que seria sua hora do almoço, pediu para a secretária trazer um sanduíche e um refrigerante diet. O colesterol estava alto, precisava fazer um check-up, mas isso ficaria para o mês seguinte. Começou a comer enquanto lia alguns papéis que usaria na reunião da tarde. Nem observou que tipo de lanche estava mastigando. Enquanto engolia relacionava os telefonemas que deveria dar, sentiu um pouco de tontura, a vista embaçou. Lembrou-se do médico advertindo-o, alguns dias antes, quando tivera os mesmos sintomas, de que estava na hora de fazer um check-up. Mas ele logo concluiu que era um mal-estar passageiro.        

Terminado o "almoço", escovou os dentes e voltou à sua mesa. "A vida continua", pensou. Mais papéis para ler, mais decisões a tomar, mais compromissos a cumprir. Nem tudo saía como ele queria. Começou a gritar com o gerente, exigindo que este cumprisse o prometido. Afinal, ele estava sendo pressionado pela diretoria. Tinha de mostrar resultados. Será que o gerente não conseguia entender isso?

Saiu para a reunião já meio atrasado, nem esperou o elevador, desceu as escadas pulando de dois em dois degraus. Parecia que a garagem estava a quilômetros de distância, encravada no miolo da terra, e não no subsolo do prédio.

Entrou no carro, deu partida e, quando ia engatar a primeira marcha, sentiu de novo o mal-estar. Agora havia uma dor forte no peito. O ar começou a faltar... a dor foi aumentando... o carro desapareceu... os outros carros também... Os pilares, as paredes, a porta, a claridade da rua, as luzes do teto, tudo foi sumindo diante de seus olhos, ao mesmo tempo em que surgiam cenas de um filme que ele conhecia bem. Era como se a sua vida estivesse rodando em câmera lenta. Quadro a quadro, ele via a esposa, o netinho, a filha e, uma após outra, todas as pessoas de quem mais gostava.

Por que mesmo não tinha ido almoçar com a filha e o neto? O que a esposa tinha dito à porta de casa quando ele estava saindo, hoje de manhã?

A dor no peito persistia, mas agora outra dor começava a perturbá-lo: a do arrependimento. Ele não conseguia distinguir qual era a mais forte, a da coronária entupida ou a de sua alma rasgando. Escutou o barulho de alguma coisa quebrando dentro de seu coração e de seus olhos escorreram lágrimas silenciosas.

Vicente queria viver, queria ter mais uma chance, queria voltar para casa e beijar a esposa, abraçar a filha, brincar com o neto... queria... queria... mas não deu tempo, a morte havia chegado sorrateira e repentina, era o fim!

A triste história de Vicente, infelizmente se repete todos os dias, e milhões de pessoas em todo o mundo são devoradas pelos afazeres que crescem e sufocam, pelo tempo que parece passar cada vez mais rápido, dando a impressão de que precisamos de muito mais do que vinte e quatro horas para dar conta de tudo o que temos a fazer em nosso dia a dia.

E você como está vivendo? Qual o tempo que tem dedicado às coisas pequenas, mas importantes, da vida? E Deus, em que lugar você o coloca em sua vida? Permita que Jesus Cristo entre agora em seu coração e seja o Salvador da sua alma.

Lembre-se, são poucas as pessoas que tem uma segunda chance ou uma nova oportunidade para mudar de vida. Pense nisso, o amanhã pode ser muito tarde!